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Sorvetes e roubos

Azul para a pontuação porque o grande problema nas discussões entre minha mãe e eu era o que faríamos com o motorista do caminhão da Kibom que nós iríamos assaltar. Os planos de roubo davam certo apesar de eu não dirigir, nem ela.  Pelo menos para nós aqueles planos eram brilhantes! Mas não éramos malvadas. Só queríamos nós fartar de sorvete sem pagar e da Kibom. Eu tinha uns dezessete anos, era criada dentro da ética e bons costumes, mas roubar o caminhão da Kibom podia. Mas sempre havia o motorista. Eu dizia para minha mãe: "A gente dá sorvete para ele também! Aposto que vai adorar tomar sorvete de graça! Depois ele finge que não lembra de nada!" Minha mãe, muito Mao Tse Tung dizia: "A gente faz ele dormir. Deixa tudo ajeitadinho enquanto a gente toma sorvete! Aí, sim, ele pode alegar que não lembrava de nada!" E os planos continuavam e sempre paravam na figura do motorista. E ainda havia o emprego do que para parar o caminhão? Armas? Nem pensar! Éramos devidament...

Tempo

Queria mesmo estar no fundo do mar, ou ter nos pés a suavidade de areias e águas.  Ter a amplidão do céu azul nos olhos, e os sons ao redor, de gaivotas e ondas, preenchendo vazios.  Eu sei! Mesmo lutando contra a dor usando imagens, mesmo me agarrando a esperanca, O tempo é longo demais... Querer e não querer tempo... O mundo moderno nao anda mais ao encanto do tempo. Nem nos ensinam a amar o tempo.

Opus 28 - Bailarina sem Entrelinhas

Opus 28 - Bailarina sem estrelinhas. Ela sabia que pisar sobre as entrelinhas eram atos de menina. E assim foi crescendo  fazendo de tudo na vida igual a um salto de bailarina. Até que as estrelinhas escureceram. E ela, sem saber, saltava assim mesmo: de escuro ao escuro, na crença inabalável  de sua força irrefutável. E, mesmo aos rodopios, nos jogos de cintura, na ponta dos pés, já sobre facas e ovos, pulava e rodopiava, e ria e ria. Até que... num segundo... o escuro tomou forma e nome, é a deixou cair, lenta e lentamente. #mahahpoemas  #máhahmartins

Nos braços do Poeta

Nos braços de um poeta (Máh Ah Martins) Dor... tanta solidão... Em meio a tantos que passam, quem me olha? Quem realmente pousa os olhos em mim? Nas minhas pernas machucadas? Na sujeira do meu corpo? Minhas roupas rôtas! Nem família eu tenho para olhar por mim... Ah, poeta, você que conhecia a alma humana como ninguem, peço licença para chorar minhas lágrimas em teus braços... "Vai é deixar o efeito do alcóol se diluir!" "Vai é esperar o efeito do crack passar!" "Deve ser algum vagabundo!" "É um ladrão, cuidado!" Não! Eu só tenho a minha miséria, poeta maior! Eu só tenho fome e frio! E eu estou cansado... Só preciso chorar! Agradeço seus braços aconchegantes! Obrigado... Não é desrespeito pelo senhor, poeta... Não é desrespeito pelo artista que te fez assim... É apenas sentir que cheguei ao fim...

Complexidade

Complexidade Não posso usar as palavras. Não hoje. Elas estão proibidas  e não resolverão nada. O mundo é feito de conchavos, e esta é uma atitude equivocada. As palavras, as mesmas que escrevem versos não têm passado de  mariposas queimando as asas. Elas, as palavras também são caladas com esparadrapos Elas não podem desabrochar. As palavras sentem vergonha. As palavras choram. É por causa  deste mundo onde nada muda, ou, se muda,  é de jeito tão lento que só para gerações futuras. Mas estamos aqui no agora, as palavras deveriam servir para mudar até as horas! Nao quero fazer lista do que as palavras se ressentem A lista é complexa! A noção de erro de um, esbarra no entendimento de erro do outro. Por fim, Visão geral deste mundo torto: ainda estamos em guerra. E as palavras, Estas, a que liberam e Nos libertam em poesias, não deveriam ser abusadas.  Imprescindíveis, elas deveriam se transmutarem em matéria, e exigirem ao mundo que, por um tempo calasse a boca.

Là Moça

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La Moça @mah.ah.martins  @MahAhPoemas A moça vai com sua saia correndo contra a brisa forte. Ela quer ir contra as raízes  que a prende qual feitiço bravo. Sua saia é bailarina  bordada de pétalas e sétalas. Ela corre e dissolvem-se ao vento farto. Uma a uma, saem de seu corpo brincando de cerejeiras. Mas sendo orquidea fogem em meio à floresta em revoadas enlouquecidas.  Nua, vira harpia, trespassa tempedades entrega aos raios o coração. Sem sombrinhas, sem guardar a chuva, assim vai a moça: corre brincando de ser poesia. Foto: copyright 500px

Para nós, os loucos!

Fiquemos bipolar!  A partir de hoje!  Avisemos e comuniquemos para o chefe e a família que hoje o tempo é nosso, de mais ninguem. Que achamos melhor nem contarem conosco. De matemática estamos todos cheios! Por aqui! A única coisa que devemos pensar,  neste mundo enlouquecido, é em dormir muito, uma das melhores coisas  a se fazer da vida, que passa rápido, vira sussurro. Principalmente se pensarmos   em tantas noites insônes. Hoje nos amanheceremos livres,  Nossos corações estarão leves, Por isso vamos dormir.  Esqueçamos as dores, as dificuldades, que os chefes e toda a família,  tenham compaixão e confiança em nossa coragem, dessa nova forma de dizermos: Hoje não!  É só um dia, é só por hoje! Amanhã estarei bem feliz!